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terça-feira, 15 de abril de 2014

Pascuelas: As tradições do Nosso Portugal

Percebo pela inexistência de movimentações nos meus colegas de trabalho que a Páscoa na cidade, como gosto de dizer, em nada faz jus à Páscoa vivida e celebrada nas aldeias.
Por esta altura, e depois do Domingo de Ramos a agitação com os preparativos para Domingo de Páscoa, são muitos e as tradições sucedem-se. Falo do quê?!

As tradições mais enraizadas no nosso país passam pela já falada limpeza geral às casas, procissões, bolaria, festejos... Mas vamos por partes:

É nesta altura em que se limpam muito bem as casas, se pintam (ou caiam, nas zonas em que isso é habitual) e se arranjam pois irá passar o Compasso (a Visita Pascal), que é uma ida do padre a cada casa para abençoar (e benzer) aquele lar e os que ali vivem. Todos estes ritos estão ligados à Ressurreição de Cristo e à celebração da Vida.Para além de todas as celebrações e significados da Páscoa, em Portugal a Páscoa é também uma festa especial dos padrinhos (e madrinhas).Tradicionalmente, para além das amêndoas (porque parecem ovos pequeninos) e dos ovos (símbolo da vida), existe o pão-de-ló e os folares que se oferecem às crianças (especialmente os padrinhos).
Estes doces também estão em cada casa para receber o Compasso.
É um sinal de hospitalidade para o padre e os seus acompanhantes (que, para não ficarem embuchados, têm também à disposição um copinho de licor ou um cálice de vinho do Porto). Devo dizer que na casa dos meus pais motivos para ficar embuchados não faltam pois a quantidade de comida disposta na mesa da sala é assim um abuso sem discrição possível: bolos doces, salgados, biscoitos, rissois, empadas, bola de carne, bolo de azeite, torta de chocolate, amêndoas... Sei lá mais o quê!





  • Os folares, os tradicionais bolos com os ovos no meio, não são muito vistos na casa dos meus pais... A tradição é, e sempre foi, cozerem-se os bolos de azeite, que como o nome diz é um bolo que de doce nada tem e que em tudo se assemelha a pão mas sabe a doce e que fazemos acompanhar com tudo: queijo, manteiga, doces, fiambre... Basicamente o que vier à mão! Em miúda cheguei a ir para a padaria lá da zona com a minha madrinha e irmã cozer os quilos destes bolos para toda a família! Claro está que o meu trabalho era mínimo... Era mais a diversão e o encanto do cheiro de bolos acabados de cozer.




  • Antes da Páscoa, na Quaresma, o tempo é de jejum - devendo evitar-se comer carne e a ementa das sextas-feiras deve ser peixe (bem, na verdade, não deve é ser carne) por respeito, pois foi na sexta-feira que Jesus foi crucificado e morreu. Bem eu desde que vim para Lisboa nunca mais cumpri esta regra... Mas também não cumpro a que manda na quarta-feira de cinzas (sempre a seguir ao Carnaval) encher as reservas com um cozido à portuguesa daqueles de encher até à unha do pé!!
  • Mas como no Domingo de Páscoa se celebra a festa da Ressureiçao (voltar à vida, ressuscitar), volta a comer-se carne: cabrito ou borrego, como se fazia nos tempos antigos. E os doces, claro, que incluem todos os tradicionais e os folares, e todos os que a minha mãe se lembrava de incluir!!!
  • Só mais uma coisa.
    Também acontece em muitas localidades celebrar-se a Semana Santa (a semana em que Jesus foi preso, julgado e condenado) com procissões de velas, à noite, ou representações teatrais (populares) desses acontecimentos. 
  • Em Braga a imagem de Nossa Senhora é transportada por uma burrinha, na Procissão da Burrinha e em São Brás de Alportel (Algarve) realiza-se uma procissão de flores (Procissão das Tochas Floridas no domingo de Páscoa). As tochas são compostas por flores do campo e são carregadas sobretudo por homens que cantam em despique: "Ressuscitou como disse, Aleluia, Aleluia, Aleluia"
    Em muitas localidades celebra-se também a Semana Santa com procissões de velas à noite, ou com representações teatrais da condenação e martírio de Cristo.
    No Alentejo, em Castelo de Vide, além das procissões benzem-se os borregos e fazem-se chocalhadas, com as pessoas a sair à rua com chocalhos, guizos e sinos.
  • E agora a minha confissão: fiz parte destas representações durante toda a minha meninice, sobretudo na chamada Via-Sacra (aposto que maior parte de vocês não sabe o que isto é - http://victorix.no.sapo.pt/via_sacra/via_sacra_1.htm), a qual retrata os últimos momentos da vida de Jesus antes de ser crucificado e onde fiz de Verónica, uma das muitas mulheres que seguia Jesus e que num acto de compaixão lhe enxuga o rosto enquanto canta uma oração, naquela que é designada a sexta estação (para mais detalhes vejam http://www.vatican.va/news_services/liturgy/2012/via_crucis/po/station_06.html), sendo que  o simboloismo deste gesto sugere que recordemos que devemos ajudar o nossos pares ao longo da caminhada!




Para finalizar, as ofertas!! Uma tradição popular da Páscoa em Portugal é oferecer uma prenda aos afilhados. Os padrinhos e madrinhas costumam oferecer um folar aos afilhados (ou pão-de-ló, amêndoas ou dinheiro), que por sua vez devem entregar no domingo de Ramos um ramo de oliveira ao padrinho ou um ramo de violetas à madrinha.
A tradição de oferecer estende-se também a familiares e a pessoas das quais se gosta, resultando em grandes trocas de amêndoas e folares.
O bolo folar chamava-se inicialmente folore e simboliza a amizade e a reconciliação. Ele pode conter ovos, que é um dos símbolos da Páscoa, já que simbolizam a vida e a fertilidade (outro símbolo da Páscoa e da fertilidade, é o coelho, mas este já não português). A tradição de pintar os ovos tem o propósito de celebrar a vida e nascimento.
Uffffaaaa perceberam agora como pode ser divertida a Páscoa?!?

E já agora, a todos os que me chamaram outros nomes que não Sandra, Sandrinha, Sandrélia, Sandrúlia ou SAL faz favor de me mandar as amêndoas,  porque isto de me mudarem o nome armados em padrinhos sem suportar a tradição de dar qualquer coisinha por esta altura não pode ser ;) 





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