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domingo, 6 de outubro de 2013

Modas e tendências: as origens e evolução do fato masculino



Eis um post sugerido por alguém improvável: o meu marido!!

Quem o conhece sabe o quão pouco ele era dado a estas coisas de vestir um fato completo... Deus sabe a aventura que foi comprar-lhe o primeiro fato completo e mais ainda que percebesse a necessidade de o usar em algumas ocasiões, como casamentos ou festas formais.
A resistência veio do modo de vida descontraído e confortável e não do facto de não o favorecer ou assentar que nem uma luva.

Pois bem, no dia do nosso casamento conseguiu superar todas as expectativas e apresentou-se com um Hugo Boss, all black, clássico e lindo de morrer. Resultado? O noivo mais jeitoso que algum dia vi na vida!!!
Meses depois, a vida dá voltas e o rei dos ténis, dos calções e das t-shirts tem de começar a usar o fato no trabalho em base quase diária. Problema? Sim, ao início o drama que era... mas não é que agora já gosta? Pior, já acha que deve ter um de Verão, um de Inverno, uma camisa assado, uma camisa frita... genius!!

E hoje a pergunta foi: "Tu que és das modas, diz lá de onde é que esta ideia do fato surgiu."
Pois não sabia... e como boa investigadora lá fui eu descobrir.

O fato é um conjunto de indumentária, tanto masculino, como feminino produzido a partir do mesmo tipo de tecido. É composto de calças, casaco e, por vezes, colete, daí ter sido inicialmente baptizado de terno (de três peças). Em Portugal, usa-se o termo "fato-de-saia-e-casaco", para designar o fato feminino.
A princípio pensei em um título à francesa para este meu post... porquê? Porque foi em França, no século XVIII, que a ideia de fato surgiu, claro que numa outra configuração mas...
Era moda utilizar paletó (mesmo chique esta expressão), colete, camisa e calças feitos com diferentes tecidos, padrões e cores. O corte era largo e esta indumentária foi pensada como vestuário informal, conhecido como "roupa de descanso". 
Como essas roupas também eram utilizadas para andar a cavalo, os alfaiates faziam um corte atrás no paletó - origem das aberturas encontradas nos fatos actuais. 
Apenas em 1860 todos os componentes de um fato passaram a ser confeccionados com o mesmo tecido. 
Depois veio a Revolução Francesa, a aristocracia perdeu a cabeça e a burguesia ganhou o poder. A roupa dos "sans culottes" ainda foi moda durante uns tempos. Com o prenúncio da Revolução Industrial, a moda inglesa foi aos poucos substituindo o lugar da francesa. Surge o riding coat e, por volta de 1830, já no século XIX, os calções saem da moda e foram substituídos pelas calças justas inspiradas nas de equitação, dos uniformes ingleses.


Este foi o visual, difundido por George Beau Brummell, na foto abaixo. Junto com as calças vieram os casacos mais estruturados e surgiram as "bisavós" das gravatas. Nesta época, os homens elegantes usavam corsets e ombros estruturados por ombreiras (os chumaços) de deixar os power dress dos anos 80, de queixo caído.
Com o bom da Revolução Industrial inglesa, o homem urbano  foi ficando cada vez mais discreto um vez que o seu poder era exibido pelas suas mulheres ou amantes que usavam jóias suntuosas e roupas ultra vistosas, não fora nessa época, no final do século XIX que surgiu a alta-costura, pelas mãos de um inglês, o Charles Frederick Worth, estabelecido onde ? Em Paris, é claro.
O resto da historinha do fato moderno, todos nós já sabemos. 
No virar do século XIX para o XX, o "morning suit" ou fraque, deu lugar ao"lounge suit" - foto acima - que acabou por se tornar a roupa do burguês, do novo homem rico, do homem de negócios, período no qual se tentou, em vão e de todas as formas, mudar a silhueta do uniforme de trabalho do homem urbano.
E outros muito mais estilosos...

E a gravata?
Acredita-se que tenha surgido na corte de Luís XIV, o Rei-Sol. Vaidoso, o monarca francês encantou-se com o efeito de um pedaço de cambraia branca (tipo de tecido francês que surgiu nos longínquos 1595) em volta da gola dos uniformes dos soldados croatas acampados nos arredores de Paris. O acessório era usado com distintivo militar. 
Luís XIV mandou que o alfaiate da corte adaptasse um pedaço fino de pano branco à gola de seus uniformes. O povo francês gostou da inovação e melhorou-a: em vez de usá-la aberta sobre o peito, amarrou-a em volta da gola.







Dito tudo isto, perdoem-me mas este modelo supera todos...

David Poço - foto da autoria de Bruno Cardoso

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