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terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Actualidades e Acontecimentos: Selfies


Como já havia dito no meu post sobre as palavras de 2013 que trouxe para 2014, selfie foi eleita a palavra do ano e ganhou lugar no famoso e internacionalmente conhecido dicionário Oxford, o que faz o termo saltar de uma gíria plebeia para o patamar de um termo nobre. Selfie, reúne o substantivo self (eu, a própria pessoa) e o sufixo ie

Os responsáveis pelo Oxford informaram que o dicionário surgido no século XIX aceitou a nova palavra porque as citações a selfie cresceram 17.000% no ano de 2013. A introdução do termo no léxico Oxford, no entanto, não é apenas fruto de uma estatística, é o reconhecimento de um fenómeno global.

Surpreendente?!?
Bem até ser anunciado não tinha pensado muito nisso, mas a verdade é que foi uma verdadeira epidemia e parece que o novo ano não fez abrandar o fenómeno.

A definição oficial:
Selfie é um tipo de fotografia, de auto-retrato, normalmente tirada com câmera digital ou telemóvel com câmera. As Selfies são frequentemente associadas com as redes sociais e são as mais das vezes casuais, normalmente, tiradas com a câmara numa das mãos e ao comprimento do braço ou num espelho, e normalmente incluem apenas o fotógrafo ou o número de pessoas que pode estar em plano. 

A verdade é que como qualquer outro fenómeno social também as selfies começam a ser associadas a estudos de comportamento, estudos sócio-económicos e a análises psicológicas dos indivíduos verdadeiramente "viciados" em selfies.
Li alguns artigos de opinião e surpresa das surpresas existe uma vantagem econômica associada que advém da natureza humana básica: somos sociais e necessitamos da validação dos pares com quem vivemos. Como disse o psicólogo William James "Não poderia ser elaborada punição mais demoníaca, se tal coisa fosse fisicamente possível, do que estar numa sociedade e passar totalmente despercebido por todos os seus membros".

E a máxima de Adam Smith - na obra "Teoria dos Sentimentos Morais", no capítulo “Da origem da ambição e da distinção social” - assenta então que nem uma luva quando afirma que:
Ser notado, ser atendido, ser visto com simpatia, complacência e aprovação, são todos os benefícios a que podemos aspirar".
Ou seja, postar uma selfie torna-se, então na busca pela aprovação, e os likes são o sistema de incentivos. Cada like recebido equivale ao benefíco de ser notado, é a validação social que estimula mais produção e melhor rendimento. Bem mais que não seja das marcas dos smartphones que por certo vendem mais uns quantos equipamentos à conta da melhoria da máquina fotográfica que inclusivamente já é frontal permitido ainda mais selfies!!!

Contudo as selfies não são invenção do mundo digital, é bom frisar apesar de ser igualmente importante reconhecer que a tecnologia transformou a prática em gesto diário. O primeiro registo reconhecido como tal, data de 1839, assinado pelo fotógrafo Robert Cornelius. Em 1914, Anastasia Nikolaevna, de 13 anos, filha do czar Nicolau II da Rússia, posou em frente ao espelho. Logo após o retrato, disse: "Foi muito difícil, minhas mãos tremiam." O próximo passo, é claro, foi compartilhar a imagem com os amigos. Sem acesso ao Facebook, usou cartas.
O autorretrato é um gênero antigo. Há relatos de que, no século V a.C., Fídias deu a uma escultura do templo de Parthenon, em Atenas, o seu rosto. Mas foi só no Renascimento que o género ganhou força, ganhando o pendor de expressão artística. 
Apesar da antiguidade foi com o mundo digital que a brincadeira ganhou maior visibilidade espalhando-se à exaustão graças à mistura de dois ingredientes: hardware e software. 

O Instagram tem números para sustentar a tese: nos três anos de vida desta nova rede social mais de 60 milhões de imagens foram publicadas com a hashtag selfie
Quem tira e posta selfies?!?
Acho que é possível identificar três grandes grupos:
• O primeiro é formado pelos exibicionistas - aqueles que costumam parar diante do espelho do elevador ou do ginásio apenas para mostrar o seu "estado físico";
• O segundo reúne aquelas pessoas que querem apenas mostrar seu "estado de espírito" – felicidade ou tristeza ao acordar, ao encontrar um amigo etc.
• O terceiro é o grupo de pessoas que quer mostrar que está num lugar, parque ou shopping, por exemplo, desde que a paisagem não ganhe mais importância do que o autor.
Mas se as selfie parecem inofensivas há já estudos de psicólogos pelo mundo fora que defendem que tanta autoexposição pode ter um preço, uma vez que a componente eminentemente narcisista da selfie pode induzir os seus "praticantes" a transtornos de personalidade, intensificando traços de agressividade e exclusão social.
Do meu ponto de vista "selfiano" acho estas preocupações legítimas se bem que me parecem um pouco exageradas...
Eu confesso: ADORO, já tiro há imenso tempo sobretudo para mostrar os meus outfits ;) enjoy it

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