Nunca fui dada às artes e o jeito para trabalhos manuais é muitíssimo reduzido... Mas adoro ver obras plásticas e obras de arte de qualidade e ainda mais se forem de artistas portugueses!!
Nos tempos de faculdade desenvolvi um gosto impar pelo trabalho de Paula Rego numa fase da minha vida menos feliz por achar que o sentimentos de tristeza das obras daquela artista reflectia o meu estado de espirito!!
Agora, anos depois, desenvolvi um gosto ainda mais peculiar... O trabalho da Joana!!!
Lembro-me do espanto que senti quando vi a primeira obra da Joana - um sapato gigante no terraço da discoteca Lux!!
Confesso que o fascínio não foi pela artista... Foi pela forma da obra de arte: os meus adorados sapatos em tamanho gigante, uma espécie de céu!!
Depois foi começar a perceber afinal quem era esta artista que começou de forma tão tímida e tão mal entendida!!
Nas melhores obras da Joana o lúdico, o glamour e o político combinam-se de forma engenhosa, evitando a alienação mas também a auto-indulgência do artista que pensa poder ser socialmente relevante só porque faz grandes declarações críticas e ideológicas através da sua obra.
Na verdade, sou perviligiada pois trabalho num espaço no qual existem obras de arte fantásticas e que apoia os artistas portugueses! Também a Joana por lá anda e através de uma figura que me é muito querida - um gato com croché à semelhança do que pelo Palácio da Ajuda se viu!!
Quando se vai a uma exposição desta grande artista, é uma oportunidade de verificar um sentido de eficácia que atravessa trabalhos que sinalizam e comentam diferentes aspectos da realidade social.
Pode ser a condição da mulher na ácida sedução de “A Noiva” (2001-2005), um aparatoso lustre feito com tampões menstruais; “Marilyn” (2009), um sapato de luxo feito com panelas e tampas.
Nesta aventura tive a companhia não só do meu mais que tudo (que conhece a Joana de outras andanças e o trabalho dela desde o tempo em que ninguém acreditava nela) mas também de dois grandes amigos e que (desconfio eu com grande margem de certeza) me acompanharão em outras andanças do Culturando - a Inês Reis e o Pedro Tavares, a quem devo algumas das minhas fotografia mais engraçadas da exposição!!
Do que gostei mais?!?
Difícil escolher pois tudo foi pensado ao detalhe... A imponência dos sapatos colocados na sala do trono e por isso mais imponente não deixa ninguém indiferente; o coração vermelho gigante pendurado no tecto, numa atmosfera de meia luz muito menos, o famoso e não menos polémico lustre de tampões muito menos; os ferros a vapor combinados de uma forma única e o seu movimento hipnotizante também deixam a sua marca!!!
Por isso prefiro não escolher para não errar!!
E agora apenas uma nota do percurso da Joana:
Recentemente, realizou uma exposição individual no Palácio de Versalhes, em França, constituindo a primeira mulher e a mais jovem artista a expor neste local histórico.
Marcou presença na Bienal de Veneza de 2005, com A Noiva (2001-05), apresentada na entrada do Arsenale no âmbito de Always a Little Further, uma das exposições deste evento. Em Veneza, apresentou também Contaminação (2008-10), que ocupou o hall do Palazzo Grassi no contexto da exposição The World Belongs to You, que reuniu obras da coleção da Fondation François Pinault.
Do seu percurso, destacam-se ainda exposições individuais em instituições como o Museu de Arte Contemporânea de Serralves (Porto, 2000); Centro Andaluz de Arte Contemporáneo (Sevilha, 2003); Passage du Désir/BETC EURO RSCG (Paris, 2005); The New Art Gallery Walsall (Walsall, 2007); Pinacoteca do Estado de São Paulo (São Paulo, 2008); Es Baluard (Palma de Maiorca, 2009); Museu Coleção Berardo (Lisboa, 2010); e Kunsthallen Brandts (Odense, 2011).
O seu trabalho integra inúmeras coleções públicas e privadas, das quais se destacam as seguintes: Museu Coleção Berardo; MUSAC; AMOREPACIFIC Museum of Art; Fondation François Pinault; Fondation Louis Vuitton pour la Création; Fundación Helga de Alvear; Domaine Pommery; Fundação EDP; Caixa Geral de Depósitos; Câmara Municipal de Lisboa.
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:D Vejo que Setembro é um mês de recomeço no blog! E fico muito muito contente com isso :) Tive o prazer de ver uma exposição da Joana Vasconcelos já há três anos no CCB - e o facto é que as peças dela têm uma componente lúdica e de humor que me agrada muitissimo, e deixam de facto marca em quem as aprecia. Não tive a oportunidade de ver esta exposição no Palácio da Ajuda, mas mais oportunidades de apreciar as obras dela virão certamente. E óptimo post, minha querida! Continua em força :) Beijinho grande*
ResponderEliminarEna!!! Voltaste a escrever no blog... gostei :)
ResponderEliminarFui ver a exposição da Joana Vasconcelos e confesso que foi uma surpresa, adorei!! Fiquei fã mesmo. Espero que haja outras :)
E como sempre a componente fotográfica no seu melhor... Tás lá miúda!!!
Beijinho